Até aquele momento a viagem estava perfeita. É claro que com pequenos probleminhas irrelevantes como um pneu furado, uma corrente partida, uma cerveja quente ou um hotel safado. Como seria bom se estes fossem nossos reais problemas. A despeito disso, estávamos no nono e último dia de um moto passeio ao Uruguai.
Nove dias de alegria e companheirismo. Passeio sem uma gota de chuva sequer.
Era um lindo domingo de verão às onze horas da manhã, exatamente a 29°41’074” de latitude sul e a 52°20’126” de longitude oeste e de repente aconteceu o que jamais poderia acontecer.
O Slow Riders foi um sonho, juntamente com o Ademar pensamos em montar um grupo de pessoas especiais, livres, inteligentes, tranquilas e interessantes. Nosso grupo andaria devagar (muito devagar) para que pudéssemos apreciar as paisagens e ter extrema segurança. Seria um grupo de pessoas que amam a natureza e a história.
Este sonho foi vivido intensamente e por alguns anos percorremos milhares de quilômetros e diversos países.
O “ferrolho” em um grupo de motociclistas, normalmente é aquele mais experiente e cuidadoso que segue atrás do “bonde” cuidando dos demais. Precisa ser alguém de muita paciência e boa vontade. Penso que o Ademar gostava de ser o “ferrolho” por puro cavalheirismo. Pensava: “Pode deixar comigo que eu cuido de todos”.
Naquele domingo uma pequena distração, possivelmente um pequeno mal estar e em uma fração de segundos ele nos deixou.
De minha parte eu já estava dando por encerrado o passeio e pensava em algumas palavras a escrever no Blog como forma de agradecimento. Pensava em escrever algumas palavras a cada um. Ao Adilson diria que sei que ele é homem sério e especial. Ao Alci que eu o admiro profundamente e tenho extremo prazer na sua companhia. Ao Anastácio diria que ele é meu irmão e ao Ademar achar uma forma de dizer o quanto eu o amava
Eu conheci o Ademar a poucos anos e mesmo assim, costumava dizer a ele que sentia que ele era meu amigo de infância. A amizade desenvolvida na infância é pura e tem raízes profundas.
Acho que ele foi uma luz divina que iluminou nossas vidas.
A dor é tamanha que parece não vai passar. Embora racionalmente saiba que um dia passa.
De minha parte não vejo como prosseguir com o Slow Riders, seria como os Rolling Stones sem Mick Jagger ou Legião Urbana sem Renato Russo.
Que graça teria?
De toda forma, penso que temos que manter aquilo de bom que criamos que é a amizade, nossas reuniões e encontros. Assim, manteremos sempre viva memória do Ademar.
Enquanto eu viver, ele viverá em mim.
Obrigado amigo por seu amor, sua amizade. Você é pessoa rara
Dessa vez você seguiu na frente.
Continue cuidando de nós...
Com saudade
Pundek
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